21 março 2009

Lugar-comum

Da janela do trabalho avisto um prédio inusual. Nota-se que não se trata de qualquer construção; as referências estão todas lá - os pilotis suspendendo a nave principal; o vão; a simetria das janelas, todas aparentes, mostrando o interior e sua iluminação padronizada; um jardim suspenso, esquadrinhado como uma pintura abstrata; afrescos azulejados em azul e branco nas paredes externas.
Pode-se imaginar que estamos em São Paulo, se o edifício parece assim tão modernista. Estamos no Rio, porém. Um Rio artificial, obra do homem - de vários deles, todos notáveis, Niemeyer, Lúcio Costa, Reidy, Burle Marx, Portinari, consultoria de Le Corbusier. Não o Rio da natureza de deus, lugar-comum.
Minha adaptação por aqui passou por esse olhar fora do comum, um olhar que fugisse do clichê, do chavão "Rio isso, São Paulo aquilo". Por isso a escolha de um dos afrescos de Portinari para o Palácio Gustavo Capanema - nome pomposo desse prédio tão contemporâneo -, como papel de parede da página principal deste blog. Eu o vejo quase que diariamente, pão de açúcar composto pelas mãos de um artista-operário, e de vários outros operários-artistas.
E, assim, esquivando-se de um lugar-comum aqui outro ali, aceitando aqueles que são incontestavelmente incomuns, como o suvaco do cristo que se abre debaixo de minha outra janela - esta, a da minha casa -, construí minha familiaridade com a cidade que carrega janeiro no nome (mês do meu aniversário) e que tem como padroeiro um santo chamado Sebastião, como meu pai.
Meus gatos, no entanto, de modo mais simples, guiados pelo instinto de sobrevivência, adaptaram-se muito mais rapidamente. A ponto de me encararem vez por outra, a me questionar: "Nós algum dia moramos em outro lugar?". Como se o tempo não existisse - e, por consequência, as lembranças, a nostalgia, a melancolia (o que, inegavelmente, facilita as coisas quando se trata de mudança de vida...).
Bom, para aqueles que já sabiam, vale o reforço; e para os que não sabiam, aí vai a notícia. Benvindos ao Rio do Marcão, ao Marcão do Rio, ao Marcão de sempre. À necessidade de escrever e ao prazer de ser lido.

5 comentários:

  1. querido...
    logo logo aparecerei aí no Rio do Marcão para visitar o Marcão do Rio.... ;)

    beijo!!!
    LM

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  2. bruce darling
    q bom q voltou a ser blogueiro
    saudade
    bjs

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  3. oi marcos, saudade dos nossos encontros sempre culturais em sp...
    agora eu aqui, vc aih, life changes... mas feliz de saber q estas bem!
    falando em corbusier, tah rolando uma retrospectiva dele no barbican, se eu conseguir ir te falo depois q tal... bjs

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  4. pois, é, guto, a vida muda mesmo, e isso é muito bom... para que cidade nosso próximo encontro estará reservado? aproveita muito essa cidade aí, e depois me conta da retro do corbusier... ontem fui ver uma retro completa da carreira do vik muniz, aqui no mam... impressionante o talento desse cara, e o que ele já fez... grande beijo...

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